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DOIS? Mangueira consagra samba 103 e 105 como os vencedores em Macapá

A Estação Primeira realizou em Macapá, capital do Amapá, na madrugada deste último sábado, a final de seus sambas concorrentes e conheceu os sambas enredos que farão parte de sua disputa final de samba enredo no Rio. Os vencedores da etapa Amapaense foram os sambas 103 de Verônica dos Tambores & Cia e o 105 de Francisco Lino.

Final de samba enredo (Macapá) – Foto: Instagram oficial da agremiação.

Ao todo para o ano de 2026 a verde e rosa recebeu 22 sambas concorrentes, 6 destes sendo escritos por Amapaenses. Todos os sambas estão disponíveis no canal oficial da agremiação e em nosso canal Ecos da Folia.

A escola em 2026 levará para a avenida o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, que se debruça na história afro-indígena do Norte do país a levando em consideração as vivências de Mestre Sacaca. O desfile é desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França.

Os sambas concorrentes vencedores vão receber uma ajuda do governo do Estado do Amapá para financiar os custos da disputa que será realizada no Palácio do Samba, na quadra da Mangueira no Rio.

Ouça os sambas finalistas

SAMBA 103 – Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior, Marcelo Zona Sul

Sacaca escutei uma voz
Era você, no meio de nós
Eu sou mangueira, na magia da floresta
A sabedoria que respeita a terra
O vento sopra o transe do pajé
Rompe a meia-noite, é ritual turé
Fumaça de tawari, o xamã babalaô
Num gole de kaxixi encantos revelou
Maré me leva nas águas do curipi
De quem sempre esteve aqui, waiãpis e caripunas
Pelo jari, esperança em cada olhar
Ribeirinho nunca deixa de sonhar
Entre os furos e buritis
Risca o amapazeiro, põe a seiva na cachaça
Cura o corpo, curandeiro, benzedeira cura a alma!
Preto velho “engarrafou” riquezas naturais
“caboco” não se esqueça dos saberes ancestrais!
Bebericando gengibirra com o mestre
“mar abaixo” “mar acima”, a gente segue
Saia florida,”sá dona”, no curiaú
A fé “encruza” no “em canto” tucujú
“é de manhã, é de madrugada”
“é de manhã, é de madrugada”
Couro de sucuriju no batuque envolvente
Quilombola da amazônia jamais se rende!
Eu vi… Em cada oração o corpo arrepiar
Bandeiras vibrando à luz do luar
Tambores se encontram cantando em louvor
Senti os sabores, aromas e cores
Nas mãos que moldam nossos valores
“meu preto”, da mata és o griô!
Ajuremou, deixa ajuremar
O samba é verde e rosa e guia meu caminhar
Ajuremou, deixa ajuremar
Cuidado, chegou mangueira, na ginga do Amapá

SAMBA 105 – Francisco Lino, Hickaro Silva, Camila Lopes, Silmara Lobato, Bruno Costa

Turé…
Quem invocou o ritual?
Eu trago a força ancestral Do Povo da floresta
Banzeiro de memórias
Navegam as histórias
Onde meu país começa
Remei, Remei a maré me levou
Pra revelar o que não vês a olho nu
Todo encanto Tucuju
Tem mandinga verde-rosa
Na Estação Primeira
Mangueira vem sambar
Benzi tua bandeira
Nesse “Rio” caudaloso de fé
Desce o morro banhada de axé
Contra todo o mal tem garrafada
Ervas e Flores pra dores curar
Tiro quebranto nas mãos sagradas
Lição de Preto Velho, Saravá!
Xamã, Doutor, Guardião, Babalaô
Saberes vibrando no tambor
Tem Marabaixo no “Encontro” ao luar…
Encantado folião na passarela
Coroado Rei do Laguinho à Favela
Mangueira chamou: “Sacaca!”
Minha voz ecoou na mata!
O meio do mundo é a nossa aldeia
Incorporou! A Amazônia é negra!

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