O último fim de semana foi de festa e testes na Cidade do Samba. Celebrando o Dia Nacional do Samba, as 12 escolas do Grupo Especial apresentaram suas apostas para o Carnaval 2026. A equipe da Toque de Folia esteve presente nas arquibancadas cobrindo cada detalhe. Entre chuvas torrenciais, falhas de som e apresentações apoteóticas, o evento serviu como um termômetro vital para o que veremos na Sapucaí.

Confira abaixo o resumo analítico das três noites:
1ª Noite: A Força da Águia e o Silêncio “Forçado”
(Escolas: Niterói, Imperatriz, Portela e Mangueira)
A primeira leva de desfiles foi marcada por adversidades externas: uma chuva torrencial de duas horas na Zona Norte e graves problemas no sistema de som do evento.
A Acadêmicos de Niterói abriu os trabalhos sofrendo com cortes no áudio que esfriaram a escola, obrigando a bateria a “reaquecer” constantemente. O enredo político focado na trajetória de Lula, embora defendido pelo competente intérprete Emerson Dias, não contagiou a arquibancada durante todo seu desfile, gerando dúvidas sobre a atualidade do tema (como o “tarifaço”).
A Imperatriz Leopoldinense provou a força de seu chão. A escola superou a ausência de parte da torcida (ilhada pela chuva) e fez funcionar um samba que era rotulado por muitos como o “pior da safra”. Com a bateria de Mestre Lolo “na palma da mão” e uma Comissão de Frente impecável, a Rainha de Ramos mostrou que o trabalho de quadra está surtindo efeito.
O destaque absoluto da noite foi a Portela. Em um setor dominado por portelenses, a escola cantou forte. A sintonia entre o intérprete Zé Paulo Sierra — que segurou o samba por 40 minutos com maestria — e a bateria comandada por Vitinho foi o ponto alto. A Águia histórica trazida no visual impôs respeito.
A Mangueira encerrou a noite com um visual deslumbrante (saturação de verde e rosa e um tripé elogiado), mas foi a maior vítima da técnica. Um “apagão” de som de cerca de 6 minutos logo no esquenta matou a empolgação inicial da torcida, prejudicando a sustentação do canto, apesar do potencial claro do samba.
2ª Noite: Emoção Tijucana e a “Ressaca” do Título do Flamengo
(Escolas: Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Unidos da Tijuca)
No sábado, a ressaca do tetracampeonato da Libertadores do Flamengo parece ter deixado a arquibancada mais fria, mas uma escola conseguiu furar o bloqueio.
A grande surpresa foi a Unidos da Tijuca. Com um enredo denso sobre miséria e Carolina Maria de Jesus, a escola emocionou o público a ponto de choro. A simplicidade dos figurinos (lixo e roupas rasgadas) foi vista como coerente e genial, contrastando com um tripé de Pavão de 4 metros de altíssimo nível. O carro de som e a bateria de Mestre Casagrande carregaram o samba “de bandeja”.
A Mocidade apostou no visual, trazendo elementos de 2025 como um robô articulado e a estética branco e verde. Porém, o samba não “pegou” na galera, que se limitou a cantar o refrão.
Já a Beija-Flor e a Viradouro sofreram com um erro de estratégia no esquenta: discursos longos (4 a 6 minutos) dos presidentes esfriaram o público após sambas iniciais empolgantes. Em destaque, o samba da Soberana foi um dos mais cantados na noite e confirma o favoritismo da atual campeã para o seu bi-campeonato.
A Viradouro, especificamente, acendeu um alerta: o samba é considerado o mais fraco do dia e “morreu” após 15 minutos, mesmo com as tentativas de bossa da bateria para reanimar os componentes. Na estética, entregou tudo e mais um pouco na emoção e conseguiu fazer um desfile esteticamente bonito – e com ótimos momentos de Wander Pires e a bateria do Mestre Ciça.
3ª Noite: Nível de Sapucaí e a “Melhor Noite”
(Escolas: Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro)
O domingo de encerramento foi, consensualmente, a melhor noite, com nível técnico de desfile oficial.
O Paraíso do Tuiuti surpreendeu pela evolução no canto. A comunidade “berrou” o samba, derrubando a tese de que a obra seria um trava-língua. O intérprete Pixulé entregou uma das melhores performances do evento.
A Vila Isabel confirmou o favoritismo de sua obra musical. O samba é tido como uma potência, talvez o melhor do ano, impulsionado pela bateria de Macaco Branco. O único porém foi a evolução acelerada: a escola “correu” demais, perdendo a chance de brincar mais o carnaval.
A Grande Rio trouxe a melhor estética do evento (tripés e alas impecáveis) e viu sua rainha, Virgínia, evoluir em carisma e postura. No entanto, o samba, muito melódico, dividiu opiniões: não explodiu na arquibancada e dependeu do visual para emocionar. Houve ainda uma falha grave de comunicação na Comissão de Frente, gerando um buraco na pista.
Por fim, o Salgueiro apostou na diversão. Com um samba estilo “farofada” e “arrastão”, a escola levantou o público. A inovação do violino na bateria está se encaixando melhor e o visual vermelho saturado funcionou muito bem causando um bom destaque final de Carnaval.
O Veredito da Pista: Lições para Fevereiro – OPINIÃO TOQUE DE FOLIA
Se os Mini Desfiles servem como um “pré-ensaio técnico”, o saldo final deste fim de semana deixa recados claros para as 12 agremiações. O principal deles é que o jogo virou. Sambas que pareciam imbatíveis no estúdio, mostraram fragilidade na sustentação ao vivo. Em contrapartida, obras criticadas, como a da Imperatriz, e tidas como “trava-línguas”, como a do Tuiuti, cresceram nos braços do povo e provaram que carnaval se ganha no chão.
Fica também o alerta técnico para a Liesa e para as diretorias: carnaval é continuidade. As falhas graves de som que silenciaram a Mangueira e a Niterói, somadas aos discursos intermináveis que esfriaram os esquentas da Beija-Flor e Viradouro, são erros que, na Sapucaí, custam décimos preciosos — e títulos.
Por fim, a emoção venceu a técnica. A Unidos da Tijuca provou que um enredo denso e visualmente simples pode arrancar lágrimas e gritos quando há alma na execução. A Vila Isabel e a Portela mostraram que tradição e chão de comunidade continuam sendo os maiores trunfos de uma escola.
A sorte está lançada. Agora, é contagem regressiva para a Avenida.
👀 Quer ver o que os olhos não viram na transmissão oficial?
A nossa cobertura não para por aqui. A equipe do Toque de Folia gravou tudo o que aconteceu na Cidade do Samba — inclusive os ângulos que a TV não mostrou e os áudios reais das baterias.
🎥 No nosso Canal do YouTube:
- A análise completa e sem filtros de cada noite (com a opinião dos nossos comentaristas).
- Imagens exclusivas do tripé de pavão da Tijuca e da evolução da Virgínia na Grande Rio.
- O impacto real do “apagão” de som na Mangueira.
📸 No Instagram e TikTok:
- Os melhores momentos dos desfiles.
- Bastidores da arquibancada e a reação das torcidas.
Junte-se à nossa comunidade! Estamos rumo aos 20 mil inscritos no YouTube. Se você quer jornalismo de carnaval feito de fã para fã, com independência e paixão, inscreva-se agora, ative o sininho e venha debater conosco nos comentários.
👉 [Clique aqui para acessar o Canal Toque de Folia] 👉 [Siga no Instagram]






