O Sambódromo da Marquês de Sapucaí foi palco de uma maratona de ensaios técnicos que testou não apenas o rigor técnico das agremiações, mas também a resiliência dos componentes e do público. Da organização logística aos efeitos sonoros inovadores, os três dias de ensaios deixaram claro que o nível de competitividade está mais alto do que nunca.

Dia 1: Problemas de organização e adaptação do público.
O início dos ensaios foi marcado por desafios logísticos significativos. O não cumprimento dos horários e falhas na sonorização — que dificultaram a audição de certos naipes das baterias — foram os pontos mais críticos. No entanto, a arte sobrepôs-se às dificuldades.
- Académicos de Niterói: A escola que ascendeu da Série Ouro mostrou uma comunidade vibrante que carregou o samba no braço, compensando a falta de ressonância da obra nas bancadas. O destaque negativo foi a iluminação cénica na Comissão de Frente, que prejudicou a visibilidade na primeira parte da escola.
- Mocidade Independente: A “Não Existe Mais Quente” de Mestre Dudu foi transcendental. O samba, impulsionado pelo intérprete Igor Vianna, surpreendeu pela recepção positiva, provando que a Mocidade vem para brincar de Carnaval. Evolução e Harmonia foram bons destaques do cortejo.
- Mangueira: Um verdadeiro rolo compressor. A Estação Primeira apresentou uma escola técnica e gigantesca, com uma harmonia invejável e um casal de Mestre-sala e Porta-bandeira impecável.
- Unidos da Tijuca: Apesar de ter entrado na avenida já na madrugada devido aos atrasos, a escola entregou uma mensagem forte de protesto, com o intérprete Marquinhos Art’Samba em grande interpretação do samba.
Dia 2: Inovação Sonora e o “Efeito Desfibrilhador”
O segundo dia elevou o nível, com um cumprimento rigoroso dos horários e uma qualidade sonora superior.
- Vila Isabel: Com um samba potente e uma evolução de altíssimo nível, a Vila mostrou alas coreografadas com grande sincronia. A bateria de Mestre Macaco Branco foi um dos pontos altos da noite.
- Salgueiro: A grande surpresa. O Salgueiro utilizou o que chamamos de “efeito desfibrilhador”: o uso estratégico do violino e das luzes cénicas para reanimar o público. A homenagem a Rosa Magalhães emocionou e provou que o samba cresce no chão da avenida.
- Paraíso do Tuiuti: Calou os críticos. Com uma bateria que realizou paradinhas impecáveis e o carisma de Mayara Lima, o Tuiuti foi uma das escolas que mais “sacudiu” a Sapucaí com um ótimo destaque para sua Harmonia e Evolução, pontos sensíveis da escola em outros anos.
- Portela: Uma exibição carregada de emoção e dendê. A Tabajara do Samba, sob o comando de Mestre Vitinho, foi impecável, mostrando uma Portela jovem e tecnicamente muito forte com um alto número de participantes no ensaio técnico.
Dia 3: A água pontencializa
O encerramento da primeira semana de ensaios foi um teste ao sambista. Um dilúvio acompanhado por ventos de 80 km/h transformaram a pista num cenário hostil, mas épico.
- Viradouro: Enfrentou rajadas de vento que dificultaram o bailado do casal, mas a bateria do Mestre Ciça manteve a escola firme. A Comissão de Frente foi um destaque criativo.
- Imperatriz Leopoldinense: O momento mais emocionante dos ensaios. Enquanto o mundo parecia desabar em chuva, a comunidade da Imperatriz gritava o samba com uma garra raramente vista. Foi um desfile apoteótico que provou a união da escola.
- Grande Rio: A escola de Caxias mostrou uma comunidade inflamada e uma bateria que dominou o espaço, mesmo com um samba que em alguns momentos parecia não subir muito com o público.
- Beija-Flor: A “Deusa da Passarela” fechou a noite como um autêntico rolo compressor. Com o samba mais ouvido do pré-carnaval, a escola de Nilópolis mostrou porque é candidata ao título, com uma harmonia avassaladora e um domínio total da cena.
Conclusão
Os ensaios técnicos de 2026 revelaram escolas extremamente preparadas e comunidades prontas para defender os seus pavilhões sob qualquer condição climática. Se o nível dos ensaios serve de prognóstico, o desfile oficial será uma batalha de gigantes decidida no detalhe mínimo.
Todo o conteúdo apresentado nesta publicação foi previamente levantado por nossos membros nos vídeos citados. E toda a análise foi feita do Setor 7 da Sapucaí, em cima da cabine dupla de jurados.






