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Leia a sinopse de “Oyá por Nós”, enredo da Mangueira para 2027

Em uma postagem feita em suas redes sociais a Estação Primeira de Mangueira foi a primeira agremiação do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro a divulgar a sinopse de seu enredo para o Carnaval de 2027.

FOTO: Sinopse da Mangueira/Instagram

Leia na integra o texto:

G.R.E.S. ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA

OYÁ POR NÓS

Sinopse

Oya dé Olúafééfé Oya Ijegbẹ, igan obirin a ji sa idá Ó lamu lamu bi ína bi alarọ Da ína si ajerẹ gbẹ ẹrù Oya ni o to iwo ẹfọn gbẹ Ó ni lábá-lábá Ó ni Olúafééfé

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Relampejou! Natureza revolta como presságio. Os raios dela rasgam a imensidão do céu como a origem do seu próprio nome: O ya! Ela rasgou, ela rasga. Ela corta, ela rompe, ela lacera, ela dilacera. Princípio que não se vê mas que se sente empurrar. Èfúùfù líle. O estrondo de sua presença preenche qualquer canto; tudo agora se confunde com a sua energia. Energia de imensidão, de exuberância. De ventania, de redemoinho, de furacão. De começo, meio e recomeço. Sentido espiralar da existência. Fundamento da vida, rito de orixá.

Deixa chover, deixa ventar. Deixa insurgir a tempestade das nuvens de chumbo dessa senhora cor de cobre, enegrecida, rosada, rubra, terracota, marrom.

Epahey, Oyá!

Ao fim do arrebol, faz-se noite de carnaval. Daqui, de antes e por todo o sempre, sua valentia prevalece. Afasta os desatinos, arrastando tudo aquilo que está à sua frente. Oyá é uma constante reinvenção. Impulso indomável da liberdade, que só sabe ser livre se for muitas. Transcorre, transforma, expande. Do sagrado Rio Níger ao coral do mar; da capacidade de mutações diversas ao veredito do elefante branco. Pisando firme no chão, planando pelo ar. Linhagem de mandinga, várias formas de ser. De ser avassaladora. Exu, nas rédeas dos caminhos, possibilita diferentes magias de renovações. Dá novos sentidos à existência, rege a transformação dos deuses. Com sua mediação, Oyá segue. Abaixo da pele de búfalo, sob a imponente carcaça com o par de chifres, ela surge potente e fascinante. Sabe chegar, fincar, se impor. E também sabe voar para longe, compreendendo o tempo de se recolher para adornar os céus de lábá-lábá. Flutua no espaço, bate as asas pelos caminhos, travessias de borboleta-mulher.

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Oyá é guerreira que não se curva aos inimigos. Com ela, amor e afeto se fazem juntos. O mesmo arrepio da luta vem da paixão. Yabá combatente e corajosa, mãe de nove filhos forjados entre o ferro e a vida. Ao lado do Senhor de Irê, promove um amor que se encontra na guerra e no fio da espada. Valente, ela é comandante implacável de tantos enfrentamentos sem barreiras que possam lhe segurar. Mulher de dendê, mancha presente que não se esvai, ardente como o óleo-sangue do mundo. Ao comer akará, aprendeu a ser brasa e cuspir a chama daquele com quem teve outro grande encontro: o Alafin de Oyó. É ele uma força tão obstinada quanto Oyá. Orikis contam essa paixão de revoluções, capaz de quebrar grilhões, mudar o passado, se juntar na quarta-feira e fazer tocar daró e alujá.

Sobe o run! Nos ilê axé, Oyá reina sobre os oris por ela apontados. Destino! Pelas mãos dos axoguns e pelos cuidados das ekedjes, obrigações e rituais são cumpridos em seu nome. Missão! Oguês e okutás compõem os seus assentamentos. Das iyabassés, acarajé com folha de louro para atrair prosperidade, além de olelê e ekuru. O povo de santo planta axé e firma os Candomblés durante noites de beleza sem-fim. Dentro dos barracões, Oyá encanta oborós com sua dança de entre-mundos acompanhada pelos alabês. Ao longo do ajerê, carrega tacho na cabeça, exibindo o poder dos seus dedos quentes ao redor da fogueira. Eruexim erguido, orienta os caminhos. Governante dos ciclos, a Iyá Mesan Orun! No axexê, a senhora dos nove céus encaminha os ancestrais. Com peregun, abre os seus destinos. Ewé, para-raio, erva-prata. Adaga de igbá. Rituais e macumbas, farturas e cantigas, defumação e alguidar. Awò.

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O terreiro ganha a rua para que ela se apresente em cortejos sublimes. Atravessa a religião e se apodera das festas e das manifestações da cultura afro-brasileira, que a evocam e reverenciam. Fio de conta continua tocando ao peito, o som se mantém negro e Oyá vive em outras formas de cultuá-la. Ocupa e transforma diferentes espaços: está nos palcos, nas ruas, nas artes, nos maracatus, nos afoxés, nas danças, nas escolas de samba, na Estação Primeira. Vínculo transcendental de ventres constituídos pelas mãos femininas, que sustentam, articulam e conduzem esses coletivos matriarcais. Herdeiras de Oyá, honram seu legado e seus saberes. Ela protege, sustenta e inspira suas filhas. Mulheres que seguem soprando; se reinventando, resistindo e existindo; amando e guerreando; fazendo batuque e festa… tudo por ela. Tudo com ela! Liderando e tecendo redes, fundando famílias, zelando pelos filhos uma das outras e formando vidas. Sendo Oyá. Para bradar a todos os céus a quem se é grata, pois nutri-la também é se alimentar.

Quando Iansã passa, nada fica no lugar. Depois que a Mangueira desfila, nada permanece igual. Todo mundo nos conhece ao longe. Chegou, ela chegou. É tempo de Oyá!

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Nessa celebração, já é madrugada de quarta-feira — dia dela, para confirmar. Olhares inundados, peito apertado, o nosso povo em devoção. Vendaval de gente, macumba Verde e Rosa na avenida, cruzando essa pista em busca da manhã. Olhando para frente, miramos a Apoteose. Queremos ver o nascer do sol, uma nova estrela. Entoar de novo aquele brado em sua companhia.

Epahey, minha mãe! Aceite essa Nação que é sua. Aceite esse carnaval que é seu. É você, Oyá! É você pela gente!

É Oyá por nós!

Enredo e Pesquisa: Sidnei França, Sthefanye Paz e Felipe Tinoco

Glossário e Referências disponíveis no site da Estação Primeira de Mangueira: www.mangueira.com.br

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