O Boi-Bumbá Caprichoso realizou, nesta quinta-feira (24), no Curral Zeca Xibelão, a sua coletiva de imprensa oficial para detalhar o projeto artístico “Brinquedo que Canta Seu Chão”. O tema conduzirá o espetáculo do touro negro no Festival de Parintins 2026 e foi destrinchado pelo presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, ao lado do presidente da associação, Rossy Amoedo, de conselheiras do bumbá, lideranças indígenas e da direção da Maná Produções.

Mais do que falar sobre o povo, o tema propõe uma autoafirmação do Caprichoso como uma entidade viva, moldada por memórias, afetos, tradições e por sua relação profunda com o território amazônico.
O Legado de uma Gestão de Raiz
Cria dos próprios galpões azulados, onde começou a trabalhar ainda na juventude, o presidente Rossy Amoedo aproveitou o encontro para exaltar a cadeia de trabalhadores — pintores, escultores, costureiras e aderecistas — que dão vida ao espetáculo. Amoedo pontuou que os últimos três anos de sua gestão foram pautados por avanços estruturais na Cidade Caprichoso, na revitalização da Escolinha de Arte e na regularização de passivos trabalhistas e judiciais.
O reconhecimento ao profissionalismo administrativo veio também de André Guimarães, presidente da Maná Produções, que destacou a maturidade do festival em atrair cerca de 20 grandes patrocinadores nacionais devido à entrega técnica e de mercado feita pelas agremiações.
O Roteiro das Três Noites de Arena
O projeto de arena do Caprichoso está estruturado em uma evolução geográfica e simbólica que parte do coração de Parintins e ecoa por todo o Norte do país:
1ª Noite: O Chão de Origem – “O Brinquedo do Povo Canta Parintins”
A abertura do festival será uma homenagem direta à cidade-ilha, seus bairros, personagens históricos e folclore de rua.
- Destaques artísticos: Lenda amazônica “A Cobra Grande – Deusa da Encantaria”.
- Tradição Indígena: Ritual Atu Mapama, do povo Sateré-Mawé.
2ª Noite: O Chão da Vida – “O Brinquedo Ancestral Canta Amazônia”
O bumbá amplia o olhar para a floresta e os saberes dos povos tradicionais.
- Destaques artísticos: Lenda “Curupira – Guardião da Vida” (assinada por Roberto Reis) e a alegoria “Povo do Norte”, que integrará as manifestações culturais de vários estados da região.
- Tradição Indígena: Ritual Maracá, do povo Assurini do Tocantins, com a presença de representantes nativos na arena.
3ª Noite: O Chão da Resistência – “O Brinquedo da Resistência Canta Norte Brasil”
O encerramento do espetáculo celebra a força dos povos originários e das manifestações populares brasileiras.
- Destaques artísticos: Lenda “Macacos Comedores de Gente” (do povo Tikuna) e a figura típica regional das Farinheiras da Amazônia.
- Especial: Exaltação ao Parque Nacional do Xingu e ao Auto do Boi Brasileiro.
- Tradição Indígena: Fechamento com o impacto do Ritual de Iniciação Xamânica do Povo Xikrin.
Para dar estofo à representatividade levada ao Bumbódromo, o Caprichoso apresentou na coletiva lideranças e integrantes das etnias Assurini e Xikrin, que participarão ativamente das exibições.






