Na noite da última sexta-feira, 12 de junho, o Boi Garantido tomou as ruas de Parintins para manter viva uma de suas manifestações mais antigas e cheias de simbolismo: a Ladainha de Santo Antônio. O ato, que acontece anualmente no Dia dos Namorados, reuniu fé, memória e identidade cultural, preservando uma herança religiosa e cultural que acompanha o Boi do Povão desde 1943.

O cortejo litúrgico e cultural teve início no Quilombo da Baixa, berço histórico do boi vermelho e branco. Conduzido por cânticos tradicionais, orações e velas acesas, o trajeto reuniu moradores, torcedores e devotos encarnados para renovar os laços de religiosidade que moldam a trajetória da agremiação há mais de 80 anos.
Distribuição de rosas e afeto
Um dos pontos altos e mais aguardados da noite foi a tradicional entrega de rosas. Durante o percurso pelas ruas da Ilha Tupinambarana, o Boi Garantido visitou residências locais para presentear mulheres e casais com flores. O gesto simbólico, que já faz parte do calendário afetivo da nação vermelha e branca, busca espalhar mensagens de carinho e respeito, reforçando valores como a igualdade, a diversidade e a união.
Para o presidente do Boi Garantido, Fred Goes, o ato demonstra que a essência da instituição vai muito além da disputa no Bumbódromo:
“A Ladainha de Santo Antônio é o Garantido de verdade, de raiz. É a promessa do nosso fundador Lindolfo ganhando as ruas, é o povo rezando junto, é a fé que sustenta nosso Boi há mais de 80 anos. No Quilombo da Baixa, a gente não só lembra o passado. A gente reafirma quem somos e de onde viemos pra chegar forte na arena”, declarou o presidente.
Memória viva da Família Monteverde
A celebração deste ano trouxe à tona lembranças profundas da família do pioneiro do Garantido. Filha do fundador Lindolfo Monteverde, Maria do Carmo Monteverde, hoje com as memórias de quem testemunhou o início de tudo, relembrou com emoção a origem da devoção familiar.
Segundo Maria do Carmo, a ligação com Santo Antônio é profunda e foi inspirada tanto por sua mãe, Antônia, quanto pelas orientações de sua avó, Alexandrina, que pediu para que Lindolfo se apegasse aos santos festejados pela família.
“É uma alegria muito grande. Eu me lembro de tudo o que vivi quando era criança. Em 1943, com apenas seis anos, vi o Garantido começar a sair pelas ruas cumprindo essa promessa que virou uma linda tradição”, recordou emocionada a herdeira de Lindolfo.
Com o cumprimento de mais uma promessa secular, o Garantido estreita os laços entre o passado e o presente, provando que sua força reside nas famílias tradicionais de Parintins e na fé repassada de geração em geração.






