A Lapa viveu uma verdadeira maré vermelha e popular nesta segunda-feira, 12 de outubro. O coração boêmio do Rio de Janeiro ficou completamente tomado por milhares de pessoas no ato “O samba não se cala – a luta é na rua”, que uniu sambistas, carnavalescos, músicos e coletivos culturais em uma demonstração massiva de força e mobilização política em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

O manifesto transformou os Arcos da Lapa em um grande palco a céu aberto em defesa da democracia, dos direitos sociais e da valorização das matrizes culturais brasileiras. Sob o ritmo conjunto das baterias da Estação Primeira de Mangueira, da União de Maricá e do Império Serrano, o público entoou clássicos do samba de resistência e cantos de campanha que ecoaram pelas ruas do bairro.
O palanque cultural reuniu alguns dos nomes mais representativos do Carnaval e da MPB, como a cantora Teresa Cristina, o intérprete Neguinho da Beija-Flor, o carnavalesco Leandro Vieira, a consagrada porta-bandeira Rute Alves, além dos cantores Pixuleh e Wic Tavares. A festa cívica contou ainda com a energia contagiante da orquestra de rua do Cordão do Boitatá e a adesão de agremiações emblemáticas do Carnaval de rua carioca, incluindo os blocos Carmelitas e Simpatia é Quase Amor.
A força da ancestralidade afro-carioca marcou presença com lideranças e integrantes da Feira das Yabás, da tradicional Roda de Samba da Pedra do Sal, do Terreiro de Crioulo e do grupo cultural Auwre. A articulação reuniu também nomes importantes da gestão cultural e da cena instrumental independente do Rio, como Rita Fernandes e o músico Kiko Horta.
Para os organizadores, a expressiva adesão popular nas ruas envia uma mensagem decisiva para as urnas no segundo turno, consolidando o samba histórico como vanguarda de resistência popular e instrumento ativo na disputa política do país.






